domingo, 30 de setembro de 2012

A CANDIDATA E O BDSM (Autor: Antonio Brás Constante)

Nota do Autor: Depois de nove meses afastado das letras volto à ativa, e como a época é propícia, resolvi reiniciar com um texto regado a sexo, mentiras e videotapes (os videotapes estão subentendidos na história). Peço desculpas aos leitores de minha lista, aos blogs que me publicam dentro e fora do Brasil, às revistas e aos jornais, por ter sumido todo este tempo sem qualquer aviso, mas eu precisava deste tempo.

 

A CANDIDATA E O BDSM

(Autor: Antonio Brás Constante)

 

Esta é uma história forjada na mais pura ficção, qualquer semelhança com a pútrida realidade, é obra do mais espúrio acaso. Desde a flor de sua juventude (uma juventude que ainda se fazia plena em seu formoso corpo de mulher) que “D” gostava de política e de sexo (não necessariamente nesta ordem). O “D” utilizado para representá-la poderia ser um “D” de Demônio ou de Deusa, ou talvez Doce, Descarada, Devassa, Discreta, Diabólica, Diva, Delicada, Destruidora, Donzela, Depravada, Dama, Despudorada, Deliciosa, Delinqüente, Delirante, Dissimulada, Doida, Domme, ou apenas um “D” representando o cargo político almejado por sua ambição.

 

Enquanto a ideologia política arrastava “D” para encontros, debates, carreatas e manifestações públicas, o meio erótico atiçava sua curiosidade e incendiava sua libido pelo proibido. Na ciranda de livros e autores ela valsava com Marques de Sade, ao passo que lia Marimbondos de fogo, A história de “O”, Anais Nin, Bukowski, entre outros, com exceção do livro Filocalia (que talvez ela lesse apenas para fazer média com algum colega partidário e influente, que porventura curtisse Opus Dei).

 

No inicio de sua busca pelo conhecido mundo desconhecido do erotismo “D” visitou algumas casas de swing, fez amizades no meio, até encontrar um “Dono” disposto a ensiná-la sobre BDSM (conforme a Wikipédia trata-se de um acrônimo para a expressão "Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo"), introduzindo-a de todas as formas nesta exótica arte. Ela, apesar de ter um gênio quase indomável, se sujeitou por um tempo a submissão masoquista de escrava sexual, entregando-se de corpo e alma aos caprichos de seu senhor, devidamente torturada com velas (podendo até ser chamada castiçamente de mulher castiçal), chicotes e tudo mais que pudesse ser usado para se alcançar o sumo prazer através da dor.

 

Ela era uma mulher privilegiada em todos os sentidos, um rosto inocentemente sensual em um corpo abrasador de luxúria. Uma mente maquiavelicamente sagaz, e capaz de usar e abusar de quem ela quisesse para alcançar seus propósitos, jogando fora, sem qualquer remorso ou esforço, quaisquer amizades outrora conquistadas, quando estas não lhe servissem mais, ou seja, o exemplar perfeito no contexto estereotipado do perfil político brasileiro.

 

Entre encontros e desencantos, ela finalmente achou um espírito que lhe servisse satisfatoriamente como alma gêmea (compartilhando de seus extravagantes desejos), e se alçou ao ápice dos dois mundos, seguindo entre a política e a lubricidade, brincando na tênue linha que separa a super exposição e o recato de um com o necessário anonimato e desenfreados despudores do outro. Misto de matéria e antimatéria seguindo de forma paralela em sua vida. O mero toque entre essas realidades podendo causar uma catástrofe inimaginável em sua imagem.

 

“D” achava que tinha tudo sob seu total controle, suas festas eram feitas em sua moradia ou em clubes fechados, ao passo que sua campanha também ia de vento em popa. Faltavam aproximadamente dois meses para a eleição, quando o inesperado aconteceu, um incidente em outro estado envolvendo uma menor de idade com um casal que aparentava ser praticante de BDSM tomou conta dos noticiários do País. O caso incitou uma cruzada em prol da moralidade em muitos recantos da Nação, e tudo que era carnal passou a ser alvo de fervorosos grupos conservadores que resolveram agir para acabar com toda e qualquer expressão que suas mentes pudessem conceber como perversão. E a caça as bruxas teve inicio.

 

Silenciosamente como uma prece sussurrada, devotados devotos do pudor começaram a vasculhar o mundo erótico em busca de provas que pudessem ser utilizadas contra seus praticantes. O ano de 2012 era considerado por muitos como um estigma apontando para o fim do mundo, e uma boa parcela desses muitos achava (ou queria por a culpa em alguém) que isso iria acontecer por causa dos que consideravam depravados, ou de qualquer um que destoasse de seus dogmas sa(n)grados.

 

Os prestimosos puritanos começaram a se infiltrar em blogs, sites de encontros e redes sociais de todos os tipos em busca de material que pudesse servir de arma, visando punir e com isso salvar almas. Alguns desses indivíduos aceitaram se sacrificar, mergulhando literalmente de corpo e alma no pecado, participando arduamente (ou seria ardentemente?) de bacanais para ter acesso a tudo que por ali acontecia.

 

Em um desses encontros, em uma festa só para casais, eles encontraram “D” em plena ação, um anjo promíscuo que se destacava na multidão de corpos suados e gemidos abafados. A cena seria apenas algo deleitavelmente pecaminoso se o seu rosto não fosse cada vez mais publicamente conhecido. Com micro câmeras escondidas não se sabe onde (já que todos estavam pelados) os fiéis moralistas gravaram cenas dignas do mais intenso filme pornô, e em decorrência deste acontecimento fortuito obtiveram imagens que foram divulgadas na web com o intuito de servirem como fato emblemático na guerra contra a imoralidade.

 

Se fossem políticos, de qualquer gênero, participando de orgias explícitas com o dinheiro público o assunto seria banalizado e encarado como mais um dentre tantos casos de corrupção endêmica já enraizadas em nossa cultura nacional, mas por ser uma mulher concorrendo a um cargo público e sendo flagrada participando de orgias privadas de sexo explícito o assunto passou a ser visto como de falta de decoro.

 

Poucos dias antes da eleição as cenas (para alguns dantescas, para outros aprazíveis e para outros ainda indiferentes) vieram a tona, estarrecendo, polemizando e escandalizando toda uma sociedade acostumada a fazer, mas não a ver aquilo tudo daquele jeito e, principalmente, tudo naquilo daquele jeito. O que aconteceu com “D”? A casa caiu? O seu mundo virou? A Playboy lhe assediou? Isso somente um novo texto, se um dia escrito, poderá nos dizer... FIM?

 

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LIVRO E LISTA DE LEITORES: Estou distribuindo gratuitamente cópias em PDF do meu livro: “Hoje é seu aniversário – PREPARE-SE”. Se você quiser o livro em PDF ou fazer parte de minha lista de leitores, basta enviar um e-mail para: abrasc@terra.com.br

 

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ULTIMA DICA: Divulgue este texto aos seus amigos (vale tudo, o blog da titia, o Orkut do cunhado, o MSN do vizinho, o importante é espalhar cada texto como sementes ao vento). Mas, caso não goste, tenha o prazer de divulgá-lo aos seus inimigos (entenda-se como inimigo: todo e qualquer desafeto ou chato que por ventura faça parte de um pedaço de sua vida ou tente fazer sua vida em pedaços).

 

P.S: Os textos deixam de ser semanais e passam a ser eventuais.

 

domingo, 8 de janeiro de 2012

SANGUE, SUOR E VÁLVULAS - Vai ler, ou só vai ficar dando nojo aí? - (Autor: Antonio Brás Constante)

SANGUE, SUOR E VÁLVULAS.

(Autor: Antonio Brás Constante)

 

O primeiro texto de 2012 não era para ser bem este, mas quando (quase as vésperas de Natal) você recebe uma mensagem de um grande amigo, que já não vê a um bom tempo, dizendo que se operou do coração e que o hospital está pedindo doadores de sangue para repor o estoque, a primeira coisa que fazemos é tentar contato com o amigo. A segunda é ir ao hospital. E a terceira (no meu caso) é escrever um texto sobre o assunto, publicando em seguida para não perder o momento.

 

Foi o que acabei fazendo ao receber a mensagem do Mestre Gadis (para quem não conhece o Gadis, foi ele quem fez os desenhos da capa do meu livro e é um dos principais culpados por eu ter levado a sério esta brincadeira de escrever, ou de ter começado a brincar com a seriedade da escrita, tanto faz). Por telefone ele me contou que já tinha o problema no coração fazia um bom tempo, mas só agora foi preciso operar e colocar uma válvula. Como ele havia se aposentado há poucos anos, e sempre foi meio maluco (no bom sentido), fiquei imaginando se ele não teria levado a sério demais a frase onde se diz: “prefiro viver dez anos a mil do que viver mil anos a dez”, forçando seu coração além dos limites recomendáveis, sentindo emoções muito mais fortes do que aquelas vividas pelos aposentados que preferem passar os seus dias jogando damas nas praças de seus bairros.

 

Uma das coisas que chama a atenção neste tipo de operação, é que em meio a toda tecnologia que existe em nossos dias, com TVs, rádios e tantos outros aparelhos já dispondo de circuitos digitais miniaturizados e microchips de última geração em sua fabricação, descobrimos que quando o assunto é consertar o bom e velho coração humano ainda utilizamos válvulas?! (válvula mitral, para ser mais exato). Nada contra as válvulas, mas a medicina bem que poderia pelo menos modernizar um pouco os nomes dos componentes que usa, para que eles não pareçam ser tão obsoletos, principalmente em se tratando de algo que literalmente toca o coração.

 

Dois dias depois de receber a mensagem fui ao hospital. Ao estacionar me deparei com a novidade das ruas, o tal parquímetro (um tipo de “flanelinha eletrônico” que não cuida do seu carro, mas quer as suas moedinhas mesmo assim). O parquímetro faz exatamente o que os “azuizinhos” faziam (apelido dos fiscais de trânsito da prefeitura de Porto alegre que cuidam da chamada “área azul”, também conhecida como: “pare e pague”), sem necessariamente tirar-lhes o emprego, já que eles continuam desempenhando a árdua função de multar. A maior diferença que noto com a implantação da tecnologia dos parquímetros, é que agora além das despesas de folha de pagamento com os fiscais, a prefeitura também gasta com a manutenção e compra dos equipamentos (cujos ancestrais provavelmente devem ser os caça-níqueis).

 

E lá estava eu, totalmente desprovido de moedas, sem poder argumentar com uma máquina que só aceitava o vil metal e com uma fiscal de trânsito que deixou bem claro que ela apenas multava, e não estava ali para resolver o problema de moedas de ninguém. O jeito foi suar caminhando e mendigar em alguns estabelecimentos para que eles trocassem cédulas por moedas, para enfim poder seguir tranqüilo meu caminho rumo ao grandioso reduto hospitalar.

 

Uma vez dentro do hospital, encontrar o banco de sangue foi até bem fácil, preencher a ficha solicitada aos doadores foi um pouco mais complicado, mas descobrir após fazer tudo isso, em um misto de revolta e incredulidade, que eu não podia doar sangue é algo que não tem preço. Já fazia uns dez anos desde a última vez que doei meu viscoso líquido vermelho em outro hospital da capital. Na época me chamaram lá, poucos dias depois da doação, para informar que eu estava com o colesterol alto e que meu sangue era impróprio para consumo (talvez pudesse ser utilizado na cozinha para substituir o azeite). Lembro vagamente que me orientaram a buscar tratamento, mas não recordo de terem me dito que eu estaria proibido de doar sangue no futuro.

 

E o futuro chegou, e mesmo após eu argumentar que fazia exames anuais (que poderiam ser consultados pela internet) e provavam que meu colesterol já estava normal depois de tantos anos, não adiantou. Meu nome se encontrava gravado em um tipo de lista negra do ministério da saúde, e a única forma de sair de lá seria indo obrigatoriamente ao hospital onde haviam descoberto meu tenebroso problema de colesterol e fazendo um novo exame.

 

Dá para acreditar em uma coisa dessas? E se o hospital fosse em outro estado? E se tivesse sido demolido, falido ou coisa assim? O que mais me indigna nessa história é que os hospitais agem como se estivessem fazendo um favor ao atender os doadores. Parece até que não falta sangue nos hospitais de nosso País. Ou será que a falta de interesse é ainda maior do que a de sangue?

 

Saí do banco de sangue aborrecido, chateado, sem vontade cantar uma bela canção. Segui zanzando pelos corredores até encontrar o quarto que procurava. A porta estava fechada e resolvi entrar devagarzinho para não perturbar o meu amigo. Na penumbra do quarto fui me aproximando de seu leito. De costas para mim e deitado sobre a cama eu podia distinguir um vulto coberto por um lençol, todo intubado, que ao perceber minha presença se virou em minha direção, e me fez balbuciar em um misto de surpresa e dúvidas: “Gadis?”, e ele com uma cara ainda mais surpresa do que a minha, os olhos arregalados, e me olhando fixamente de cima a baixo (eu estava todo de preto, com barba por fazer e com uma cara de poucos amigos depois de discutir com o pessoal do banco de sangue) respondeu com outra pergunta: "Morte?" (bem, não foi bem isso que aconteceu, mas quase isso...).

 

Após o susto descobri na enfermaria que o Gadis havia recebido alta no final do dia anterior. Trocando mensagens com ele nos dias que se seguiram, fiquei sabendo que ele teve lapsos de memória e não se lembrava de quase nada que havia acontecido, falado ou dito em boa parte do tempo que esteve no hospital, inclusive de ter falado comigo ao telefone. E aqui estou eu, escrevendo sobre estes fatos e iniciando este novo ano, desejando a todos que vivam, conquistem e mantenham suas amizades, pois a amizade é um dos maiores e melhores presentes que podemos ter durante nossa temporária passagem por esta vida. FELIZ 2012!!!

 

VOU COMEÇAR 2012 COM A NOVA SÉRIE: “NINGUÉM COMETEU MAIOR ERRO DO QUE AQUELE QUE ERROU AO FAZER TUDO ERRADO”, instituindo o troféu textual “Onde foi que eu errei?”. E o troféu da vez vai para o leitor e escritor LEO, meu colega do BB, que me alertou de um erro no último texto publicado: “Um toque sobre a essência das mãos” onde confundi e troquei “pálpebras” por “têmporas”, valeu Leo.

 

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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

UM TOQUE SOBRE A ESSÊNCIA DAS MÃOS (Autor: Antonio Brás Constante)

 

UM TOQUE SOBRE A ESSÊNCIA DAS MÃOS

(Autor: Antonio Brás Constante)

 

As mãos estão conosco desde que nascemos. São cuidadosas mãos as primeiras coisas que encontramos ao chegarmos neste mundo pós-uterino, nos segurando e protegendo. Mãos de pulso firme batem com bondade em nossa corpórea fragilidade nos fazendo chorar, respirar, viver, e em outras vezes, mãos covardes espancam com maldade o nosso corpo, nos fazendo gritar, engasgar, morrer.

 

As mãos falam através de sinais mudos. É a mão que encontrando outras mãos, expressa sua amizade e confiança através da força e firmeza que imprime neste encontro. Os amantes pedem a mão desejada em casamento. As mãos benevolentes estão sempre abertas para auxiliar a quem precisa, mas existem mãos rancorosas que se fecham pelo ódio e cólera que a tantos intimidam.

 

A mão que acolhe com bondade é a mesma que empurra com brutalidade. A mão que puxa para aproximar é a mesma que solta sem demonstrar se importar. São as mãos que nos socorrem nos momentos em que a escuridão nos envolve e, sem qualquer aviso, cega o nosso olhar. Mãos que nos fazem ver, muitas vezes, aquilo que não queremos enxergar.

 

A mesma mão que aponta acusando é aquela que se une com outras em prece pedindo perdão. Uma mão caridosa lava a outra, lhe ajuda, protege e ampara, fazendo o que estiver ao seu alcance na hora de prestar auxilio. Mas a mão impregnada de egoísmo também lava a própria culpa de si mesma, quando quer se omitir de ajudar quem precisa.

 

A mão suja representa o trabalho, mas a sujeira nas mãos também é o símbolo da corrupção. As mãos vazias de riquezas, sem nada, representam a pobreza, bem como as frágeis mãos ainda tão pequenas, desamparadas e pedintes. Cruel realidade das crianças mendicantes nas sinaleiras.

 

São as mãos que batem continência em sinal de respeito e disciplina militar em nome de uma pátria nem sempre amada. Mas também foram elas que ficaram erguidas, o braço direito estendido para frente, simbolizando a loucura nazista que marcou uma era malograda.

 

São mãos amigas que amparam quando as palavras falham, nos envolvendo na comunhão de um abraço. É uma mão cheia de ternura que dá adeus quando alguém parte, e enxuga a vertente de lágrimas que escorre pela face de nosso semblante sofrido.

 

São as mãos que batem na porta para anunciar a chegada. Mãos cheias de energia aplaudem aqueles que admiram, e se juntam ampliando o som das vozes quando querem vaiar. As mãos unidas podem até derrubar governos...

 

São as mãos que acariciam vários instrumentos de corda fazendo-os tocar, espalhando os sons dos anjos pelo ar. A mão que nos alimenta é também aquela que nos auxilia a aprender a contar, brincar, trabalhar, amar.

 

São as mãos que abrem a carta com as notícias tão desesperadamente esperadas. E através de um simples toque de seus dedos, um clique é dado sobre o mouse, abrindo o e-mail desejado.

 

É a mão que aperta o gatilho da arma. É a mão que tapa a boca da vítima impedindo-a de gritar. São mãos frias que puxam a alavanca do cadafalso cumprindo a ordem de matar.

 

A mesma mão que escreve as verdades também rasga os direitos em sinal de intolerância, jogando pedras em corpos vivos e livros ao fogo, que ardem em nome do preconceito.

 

São elas que fecham nossas têmporas quando enfim rumamos para imensidão.

 

Foi por causa dessas mãos, dessas tantas mãos: fortes e frágeis, grandes e pequenas, jovens e velhas, negras, brancas, orientais, universais, que me pus pacientemente a dedilhar o teclado, dando vida a este pretenso texto com ares de poesia. Enfim, as mãos unidas pelo amor são a essência de nossa humanidade. Agora peço que você releia todo texto novamente, trocando as expressões que representam as “mãos” por “pessoas”... Feliz 2012.

 

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domingo, 18 de dezembro de 2011

A BOLACHINHA MAIS IRRITANTE DO PACOTE (Autor: Antonio Brás Constante)

A BOLACHINHA MAIS IRRITANTE DO PACOTE

(Autor: Antonio Brás Constante)

 

Neste período natalino onde os pisca-piscas invadem e iluminam todos os recantos para embelezar as noites de dezembro, e o fluxo de veículos se intensifica nas ruas, estacionamentos de shoppings e por onde quer que possam trafegar, uma coisa que eu acho incrível, principalmente porque também aumenta nesta época do ano, e que me deixa totalmente bestificado, é o tal uso do pisca-alerta pelos motoristas. Tenho que renovar a carteira de habilitação e vou aproveitar para reciclar meus conhecimentos, pois acho que já estão ultrapassados sobre este item de segurança automotiva.

 

Até onde eu sei o pisca-alerta deveria servir exatamente para isso, ou seja, ele pisca e alerta em casos de emergência, avisando que tem algo errado a frente (quando o veículo está em movimento), ou quando somos obrigados a parar em locais indevidos (em decorrência de alguma pane no motor, ou pane no pneu, ou pane no motorista, etc). Mas acho que a lei mudou, pois principalmente na frente das escolas o uso do pisca-alerta serve para tudo, por exemplo: Fulano para em fila dupla e liga o pisca-alerta, com isso ele está tranqüilo, sabe que os coitados atrás dele não vão se importar em ter que desviar ou esperar vários minutos até que o bonitão pegue seu filho e siga seu belo caminho. Existem ainda vários outros cenários que podemos citar, como quando o cretino estaciona na frente de uma garagem, ou em uma vaga para deficientes, mas tudo bem, ELE LIGOU A BOSTA DO PISCA-ALERTA! Todo resto do mundo que se dane, ele não está nem aí, pois com o pisca ligado tudo é permitido, é magia pura.

 

Essas pessoas devem se a achar as bolachinhas mais importantes (para não dizer irritantes) do pacote social onde vivem, para fazerem as coisas que fazem, sofrendo, provavelmente, da mesma disfunção de personalidade que Steve Jobs (criador do Ipod, do Iphone, da Apple, da Pixar, entre outros produtos e empresas), que achava que muitas das regras de trânsito não se aplicavam a ele (ou apenas não se importava muito com elas).

 

Enquanto isso, os trouxas como eu tentam chegar mais cedo as escolas onde seus filhos estudam para poderem estacionar próximos da entrada, ou estacionam a duas quadras de distância quando se atrasam, respeitando o trânsito. Já os gostosões chegam em cima da hora, param o carro de qualquer jeito, interrompendo todo fluxo de veículos, obstruindo a faixa de segurança por onde as crianças passam, e causando a maior merda. Mas eles podem fazer isso porque simplesmente ligaram o pisca-alerta, e os demais indivíduos que se explodam (eu ia dizer: "Que se fodam", mas achei politicamente mais correto escrever "explodam" para não macular os olhinhos sensíveis de ninguém).

 

E assim, os babacas que como eu vão seguindo as normas parecem sempre se dar mal por isso. Até em uma das ex-novelas das oito (que sempre começa bem depois desse horário), quando o Bandido Leo resolveu seguir a Norma (Glória Pires), acabou levando a pior, e assim a vida imita a arte, e dependendo do tipo de arte, ela irrita a vida dos vivos.

 

De um lado nós, "os certinhos", tentamos fazer de tudo para que o mundo flua em harmonia. Nós não andamos pelo acostamento, não jogamos papel pelas janelas de nossos carros, não paramos em fila dupla, não peidamos no elevador ou em lugares fechados (salvo se for embaixo das cobertas, lugar considerado de foro íntimo e área de peido livre se você dormir sozinho, porque se estiver acompanhado já é outra história). Mas, ao olharmos ou respirarmos para o lado, lá estão os queridões fazendo tudo isso, e ainda dando (mau) exemplo, por fazerem na frente dos próprios filhos, para que eles aprendam a ser tão espertalhões quanto seus queridos papais e mamães.

 

Daí quando vemos um monte de crápulas aumentando o seu já gordo salário em setenta e poucos por cento (e ainda estão se articulando para ganhar o tal "PACOTÃO de Natal", SE LIGA BRASIL!, se for aprovado serão mais algumas centenas de milhões anuais escorrendo pelo ralo político...), em câmaras de deputados, prefeituras e onde mais parasitarem esta corja imunda que nos rouba de várias formas sem pudor algum, ficamos abestalhados e indignados, não entendendo como eles não têm crises de consciência ao fazerem isso, justamente em um país que tem as deficiências que o nosso tem, com gente morrendo todos os dias por falta de recursos públicos, que são roubados por essas figuras descaradas, de caráter desfigurado.

 

Mas grande parte da raiz desses problemas está enraizada em nossas raízes culturais, visto que muitos brasileirinhos mal nascem e já saem do berço sendo treinadinhos para querer levar sempre a melhor (através do menor esforço). Então como vamos querer que quando cheguem a fase adulta não sejam uns grandes de uns FDPs? (acho que não preciso explicar esta sigla). Prontos a sacanear pelas costas, e sem qualquer escrúpulo, quem aparecer na frente deles.

 

O Natal está novamente batendo a nossa porta. Quer presentear o mundo e a todos aqueles que você ama? Então pare de agir como um cretino egoísta, e passe a fazer a sua parte. Melhorar o mundo não é algo fácil de se conseguir, mas precisamos de gente honesta e disposta a fazer as coisas certas para que isso realmente aconteça. Se você é daqueles que acredita em milagres, fique certo de que a essência de um milagre é poder fazer do impossível algo possível, simplesmente fazendo o nosso possível.

 

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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

OS EXTREMOS DE UM CÍRCULO (Autor: Antonio Brás Constante)

OS EXTREMOS DE UM CÍRCULO

(Autor: Antonio Brás Constante)

 

Tudo que é extremo é limitado por natureza. Finito. Pois se é extremo não tem mais para onde avançar, chegou ao limite. Estagnou. Não importa se isso é relacionado a idéias, ações ou qualquer outra coisa. O extremo é o fundo de um poço, e talvez o ponto de partida para se voltar atrás, de começar a repensar atitudes.

 

Um terrorista quando movido pelo extremismo é alguém com quem fatalmente não adiantará qualquer diálogo, pois está disposto a ir até o extremo máximo que um ser vivo pode chegar, ou seja, a morte, findando sua vida por causa de suas incontestáveis causas, praticando atos detestáveis para alcançar este fim, culminando com seu próprio fim.

 

Muitos passam suas vidas em busca dos extremos, o extremo prazer, a extrema emoção, a extrema perfeição, a felicidade eterna (uma forma extrema de felicidade), visto que a eternidade pode ser encontrada mesmo em um mero instante (que tantas vezes passa despercebido e pisoteado na corrida ao extremo das coisas), e quando aqueles que isso almejam lá chegam, ao ponto mais extremo que buscavam, se vêem em um lugar como outro qualquer, e se olharem para trás vão tristemente notar que passaram batidos por tudo aquilo que valia a pena ser encontrado e que, muitas vezes, já não tem mais como retornar.

 

Nosso planeta redondamente constituído, mesmo em sua mais imperfeita geometria circular, é um bom exemplo a ser analisado. Muitos falam em extremo sul, extremo norte, mas o mais extremo esta apenas um passo atrás de onde estamos, e assim sucessivamente. Vivemos em pontos extremos de um circulo, e estes extremos mudam conforme nos movemos, e o mais distante e mais próximo passa a ser o lugar por onde acabamos de passar.

 

Buscar o equilíbrio das coisas sempre é uma opção, mas alguns confundem equilíbrio, ou mesmo centrismo, com egocentrismo, entendendo que devem ser o centro de tudo, e ao invés de encontrar harmonia se transformam em buracos negros puxando tudo e todos para seu centro de gravidade, pois para essas pessoas qualquer falta de atenção ao seu universo é algo da maior gravidade.

 

E assim como os tais buracos, até mesmo a luz que por esses indivíduos passa é sugada para dentro de sua gigantesca e voraz vaidade, e é utilizada como sendo sua. São extremistas pensando que são o centro de todas as atenções e que o mundo gira ao seu redor.

 

Enfim, assim como os extremos são o ponto final, eles também podem ser o ponto inicial de qualquer coisa. Vejo um pouco disso nos aniversários. Nascemos em um determinado ponto da existência e a cada ano vamos tomando distância, seguindo rumo a derradeira inexistência.  E se nós pararmos para pensar, ao longo de cada ano mudamos (ou temos a chance de poder mudar) gostos, pensamentos, atitudes e ações, crescendo, amadurecendo, e até, quem sabe, escrevendo sobre isso...

 

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domingo, 4 de dezembro de 2011

PROMESSAS (até que chegue a hora de desmentir tudinho)

PROMESSAS (até que chegue a hora de desmentir tudinho)

(Autor: Antonio Brás Constante)

 

As promessas são contratos firmados pela consciência, sujeitas a mudanças no decorrer dos acontecimentos dependendo de quem as façam.

 

São muito populares nas campanhas eleitorais, funcionando como moeda de troca. Você dá seu voto em troca da esperança de melhorias na sociedade, vencendo quem dispõe do melhor discurso, ou que sabe enrolar e cativar o maior número de eleitores com as melhores e mais doces mentiras.

 

Mas o mundo não é feito apenas das promessas políticas no período eleitoral. Existem também as famosas juras de final de ano. Aquelas que a pessoa faz de coração, pois se usasse a cabeça talvez não as fizesse.

 

Quem no último dia do ano nunca prometeu deixar de beber, ou de fumar, ou mesmo que começaria a ler aquele livro recebido de presente. Alguns dão sua palavra que mudarão de emprego, outros apostam que não jogarão mais.

 

Pense, por exemplo, na promessa de começar uma dieta. Você promete e logo em seguida se esbanja no banquete de reveillon, sem culpa, pois sabe que o juramente começara a valer apenas no dia seguinte.

 

Nos primeiros dias após a festa a promessa segue tranqüila, até então o seu organismo está se curando da ressaca e do excesso de porcarias que você comeu.

 

O tempo vai passando e as dificuldades aumentando. Aquele pratinho ridículo de saladas já não tem mais graça, o pão integral vira seu pior inimigo e as frutas que vão para o inferno, o que você quer mesmo é uma bela macarronada ou pelo menos um xis salada.

 

Ao final de duas semanas você se rende (tal qual um guerreiro vencido e acuado), derrotado por suas próprias e famintas entranhas.

 

O primeiro sinal de derrota acontece quando lembra que já resistiu mais que no último início de ano, e se deixa vencer pela tentação, passando para o próximo ano o compromisso de renovar a promessa e recomeçar a dieta.

 

Poucos são os que realmente conseguem cumprir o que dizem. A grande maioria não lembra que o ato de prometer é apenas a primeira etapa de uma série de sacrifícios que terão de enfrentar, para realmente conseguirem vencer o desafio proposto. As pessoas esquecem que se fosse realmente fácil obter o que querem, não seria preciso prometer nada.

 

A promessa é apenas o bilhete da passagem, pedido e não pago, que se perde no caminho, onde a viagem acaba muitas vezes sendo um círculo no qual andamos pisando em nossos próprios erros, sempre estando à sombra de nós mesmos.

 

Outras promessas que mais soam como mentiras, são as de amor, onde até os planetas e o infinito são entregues (de forma imaginária) como provas desse sentimento.

 

O enamorado oferece a sua amada a lua, o sol e as estrelas. O noivo segue nos caminhos da paixão entregando seu coração junto com um par de alianças. O recém casado (durante a lua-de-mel) já mais realista oferece a fidelidade e algumas juras de felicidade, e o marido... Bem... O marido passa o resto da vida desmentindo tudo.

 

FILMES NO YOUTUBE: Produzi dois filmes e postei no Youtube, se quiser assisti-los e quem sabe dar boas risadas, basta acessar o Youtube e procurar por: “3D – Hoje é seu aniversário” ou “Livro Maldito”, ou através dos links:

 

http://www.youtube.com/watch?v=IEHnTRFR0Dg

 

http://www.youtube.com/watch?v=lv0DJRp94NM

 

Se gostar dos filmes e tiver conta no Youtube, peço que clique em “gostei” me ajudando assim a divulgá-los.

 

LIVRO E LISTA DE LEITORES: Estou distribuindo gratuitamente cópias em PDF do meu livro: “Hoje é seu aniversário – PREPARE-SE”. Se você quiser o livro em PDF ou fazer parte de minha lista de leitores, basta enviar um e-mail para: abrasc@terra.com.br.

 

Site: abrasc.blogspot.com

 

ULTIMA DICA: Divulgue este texto aos seus amigos (vale tudo, o blog da titia, o Orkut do cunhado, o MSN do vizinho, o importante é espalhar cada texto como sementes ao vento). Mas, caso não goste, tenha o prazer de divulgá-lo aos seus inimigos (entenda-se como inimigo, todo e qualquer desafeto ou chato que por ventura faça parte de um pedaço de sua vida ou tente fazer sua vida em pedaços).

 

 

domingo, 27 de novembro de 2011

PEQUENA HISTÓRIA SOBRE CRITÉRIOS (Autor: Antonio Brás Constante)

PEQUENA HISTÓRIA SOBRE CRITÉRIOS

(Autor: Antonio Brás Constante)

 

Várias pessoas de bem resolveram se reunir tentando desenvolver formas para diminuir a onda de violência que assolava o lugar onde elas moravam.

 

Começaram a traçar critérios de como deveriam agir. Uns colocaram como critério básico que toda população se desarmasse, pois assim diminuiriam os acidentes com armas.

 

Outros acharam por bem que mesmo os policiais se desarmassem, pois eram humanos e propensos a falhas.

 

Também acharam interessante a criação de campanhas que sensibilizassem a população, mostrando que a violência era a arma dos bandidos e não do povo.

 

Eles achavam que se começassem a conscientizar o cidadão a se desarmar, isto poderia servir de exemplo para as novas gerações, diminuindo o número de futuros marginais.

 

A discussão foi tomando vulto, com vários critérios sendo estabelecidos com relação às armas em poder do povo (que estavam ao alcance das leis feitas pelas pessoas de bem).

 

De repente o lugar foi invadido por uma legião de bandidos do mal, que assaltaram e mataram todas aquelas nobres pessoas de bem (agora desprovidas de seus bens, inclusive o maior deles: A vida).

 

Moral da história: BANDIDO NÃO TEM CRITÉRIO!

(Adaptação de uma antiga anedota sobre náufragos e tubarões)

 

 

FILMES NO YOUTUBE: Produzi dois filmes e postei no Youtube, se quiser assisti-los e quem sabe dar boas risadas, basta acessar o Youtube e procurar por: “3D – Hoje é seu aniversário” ou “Livro Maldito”, ou através dos links:

 

http://www.youtube.com/watch?v=IEHnTRFR0Dg

 

http://www.youtube.com/watch?v=lv0DJRp94NM

 

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LIVRO E LISTA DE LEITORES: Estou distribuindo gratuitamente cópias em PDF do meu livro: “Hoje é seu aniversário – PREPARE-SE”. Se você quiser o livro em PDF ou fazer parte de minha lista de leitores, basta enviar um e-mail para: abrasc@terra.com.br.

 

Site: abrasc.blogspot.com

 

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