sábado, 25 de setembro de 2010

ESTÁGIO... Começo e fim em ciclos (Autor: Antonio Brás Constante)

ESTÁGIO... Começo e fim em ciclos

(Autor: Antonio Brás Constante)

 

Antes de começar um frio percorre sua espinha, antecipando o medo do novo estágio. Trabalhar com pessoas estranhas, tendo de aprender uma série de rotinas totalmente desconhecidas do que agora é seu mundo.

 

No primeiro dia a sensação de mal-estar se concentra no estômago. As horas vão passando, cheias de nomes e serviços que entram e saem de sua cabeça. Tudo é tão intenso, tão surreal. A cada momento algo novo, seja um rosto, uma tarefa ou um local dentro da empresa. Você não parece pertencer aquele lugar. Sentimentos de solidão e desamparo lhe possuem, lhe abraçam, acompanhando você na sua jornada de trabalho.

 

Chega o final do primeiro mês. A insegurança diminui diante de cada novo dia. Aos poucos começa a fazer parte daquele lugar. Não confia totalmente nas pessoas, mas o sentimento de acolhida de algumas lhe faz bem. A neblina do desconhecido desvanece. Vai conseguindo ir adiante, apesar dos tropeções, normais quando se está aprendendo. Aos poucos passa a se sentir como um membro da equipe.

 

Após seis meses o sentimento que se tem é de que já é uma peça integrada a engrenagem daquele ambiente. Vários amigos conquistados. O domínio do trabalho que antes lhe assustava, agora é algo corriqueiro. Ainda há tanto para aprender, mas como é gostoso poder fazer as tarefas por suas próprias mãos, independentemente na maioria das vezes. Você tem as suas coisas, gavetas, folhagens, padronizações, fazendo cada vez parte do dia-a-dia da Empresa.

 

Então vem o final do primeiro ano. Alguns amigos se vão. Um cansaço toma conta de seu corpo e mente. Tanto tempo já se passou. Parece que faz anos e não meses que está ali. A partir desse momento, cada dia não será mais um dia. Agora a contagem é regressiva. Metade do estágio passou. Como um ano passa rápido.

 

Faltam seis meses para o final do seu contrato. Tantas pessoas novas nos setores. Você sente que sabe tudo do qual é encarregado. Está ciente do lugar de cada pasta. Têm disponíveis em sua memória todos os contatos profissionais. Possui o conhecimento calejado dentro de si. Ensina os novatos, e se sente importante pelo domínio que tem das tarefas que executa. Vez que outra se despede de outros veteranos, logo será sua vez.

 

Começa o ultimo mês na Empresa, difícil de acreditar que se passaram quase dois anos desde o primeiro dia. Quanta coisa aprendeu ali. Conhece cada pessoa e equipe. Sente-se como parte do lugar, como a mobília. Tantas alegrias e tristezas vividas. Não parece justo ter que sair. Você gosta do que faz, porém, logo terá de ir embora, mesmo não querendo. Pena, apesar de tudo, adora estar ali, não queria que acabasse assim.

 

Ultimo dia. Nos olhos dos colegas a saudade de alguém que está partindo, e a dor da perda daqueles que tiveram seus corações tocados por você. Um nó na garganta insiste em lhe fazer chorar. O dia é tão normal, tão parecido com os outros, com exceção que este é o seu último dia. No seu pensamento agora vem o gosto amargo do ressentimento ao lembrar que todo seu conhecimento será descartado, em sua maioria perdido. As suas gavetas passarão para outro, suas rotinas, anotações, pastas, tudo. Parece que sua vida será transferida para uma nova pessoa, que começara do zero em seu lugar, vivendo o que você viveu. É como se arrancassem parte de você. É cruel, mas não há o que se fazer. Somente aceitar. Você sabia das regras quando começou a trabalhar ali. Regras no papel, tão frias quando confrontadas com as lições da vida.

 

Um dia após o término do estágio. As sensações de vazio, tristeza e saudosismo mesclam-se em seus pensamentos. Você não verá mais todas aquelas pessoas, nem passará mais por aqueles corredores. Após dois anos tudo acabou. Não faz mais parte daquele lugar. Agora seu caminho é outro. Diferente daqueles com quem você por tanto tempo conviveu. A partir desse momento o jeito é respirar fundo e planejar um novo emprego. Quem sabe outro estágio. E quando acontecer, provavelmente um novo calafrio percorrerá sua espinha. Tudo novo... De novo.

 

NOVA NOTA DO AUTOR: Produzi um filme no Youtube (escrito, dirigido e encenado por este eterno aprendiz de escritor), se quiser assistir ao filme e quem sabe dar boas risadas, basta acessar o Youtube e procurar por: “3D – Hoje é seu aniversário” (o filme foi feito em padrão 3D). Quem quiser também pode me pedir uma cópia em PDF do meu livro: “Hoje é seu aniversário – PREPARE-SE”, disponível pela editora AGE (www.editoraage.com.br), ou para fazer parte de minha lista de leitores, que recebem semanalmente meus textos, para isso basta enviar um e-mail para: abrasc@terra.com.br.

 

Site: recantodasletras.uol.com.br/autores/abrasc

 

ULTIMA DICA: Divulgue este texto aos seus amigos (vale tudo, o blog da titia, o Orkut do cunhado, o MSN do vizinho, o importante é espalhar cada texto como sementes ao vento). Mas, caso não goste, tenha o prazer de divulgá-lo aos seus inimigos (entenda-se como inimigo, todo e qualquer desafeto ou chato que por ventura faça parte de um pedaço de sua vida ou tente fazer sua vida em pedaços).

 

 

sábado, 18 de setembro de 2010

A SINA DE UM ESCRITOR ANÔNIMO (Autor: Antonio Brás Constante)

A SINA DE UM ESCRITOR ANÔNIMO

(Autor: Antonio Brás Constante)

 

Pensando bem, ser um escritor desconhecido é uma veste que me cai bem, que lhe cai bem, que cai sobre os ombros de tantos outros também. Fora dos pedestais, procuramos alertas por sinais que se escondem de nossa procura. Nos desencontros de nossa lida de vida, escrita, transcrita, madura ou prematura. As tentativas frustradas são surras que levamos, por ousar almejar o reconhecimento que sonhamos.

 

A inexistência é o estigma que carregamos por toda existência. É nossa segunda pele, é o que sustenta nosso sentimento de impotência, diante de tantas potências que não enxergam o que lhes mostramos. E assim vão se passando milhares de horas, e assim vamos morrendo por dentro e por fora... Como ontem... Como agora.

 

Vagamos pela sombra de poucas estrelas, com idéias na mente e um lápis na mão. Portas fechadas à frente, caminhos interditados sem passagem aos nossos passos. Dedos gigantes apenas apontam para seguirmos viagem de volta à multidão, que segue sem alento rumo ao esquecimento.

 

“Este mundo não lhe pertence”, “DESISTE!”. “Teu trabalho é bom, mas não temos espaço para tal expressão”. “Tenta daqui a algumas semanas, meses, anos”. Sua presença indesejada teimosamente nesta estrada, só merece uma resposta amarga: “sinto muito, mas no momento não queremos nada”.

 

Desculpe-me foi engano, a verdade dolorida muitas vezes não deve ser dita. Esta maldita realidade imposta e de tal forma impossível de ser transposta. Aqui fico parado na beira desta carreira, como um caroneiro que espera em uma porteira pela passagem do sucesso. Sou tal qual a poeira exposta pelas ruas, que se perde na eternidade das veracidades nuas, destes pequenos versos...

 

NOVA NOTA DO AUTOR: Produzi um filme no Youtube (escrito, dirigido e encenado por este eterno aprendiz de escritor), se quiser assistir ao filme e quem sabe dar boas risadas, basta acessar o Youtube e procurar por: “3D – Hoje é seu aniversário” (o filme foi feito em padrão 3D). Quem quiser também pode me pedir uma cópia em PDF do meu livro: “Hoje é seu aniversário – PREPARE-SE”, disponível pela editora AGE (www.editoraage.com.br), ou para fazer parte de minha lista de leitores, que recebem semanalmente meus textos, para isso basta enviar um e-mail para: abrasc@terra.com.br.

 

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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

VOCÊ RECONHECE OS PRESENTES QUE GANHA? (Autor: Antonio Brás Constante)

NOTA DO AUTOR: Nesta data (09.09.2010) morreu um grande escritor Canoense, Antonio José Giacomazzi, e para prestar uma homenagem ao nobre amigo das letras, envio o texto abaixo, extraído e forjado em uma conversa casual com ele, em uma bela tarde de sol, tendo como platéia uma legião de livros. Espero que apreciem. ABC

 

VOCÊ RECONHECE OS PRESENTES QUE GANHA?

(Autor: Antonio Brás Constante)

 

Bons presentes muitas vezes não custam dinheiro, mas em virtude disto, custamos a reconhecê-los como presentes. Uma troca de palavras pode ser bem mais preciosa do que uma jóia. Foi o que aconteceu em um dos dias em que estive prestigiando a feira do livro de Canoas de 2009. Estava eu na praça vendo as pessoas rodeadas pelas árvores e as árvores rodeadas de pessoas, tendo os livros preenchendo todos os demais espaços vazios. Naquele dia tive a oportunidade de conversar um pouco com o patrono do evento.

 

Para quem não o conheceu, posso descrever o patrono daquela feira do livro, Antonio José Giacomazzi, como um jovem de um pouco mais de sessenta anos, poeta, artista plástico, escritor e dono de uma mente indomável, capaz de criar obras lindíssimas, usando os papéis ou pinceis ao seu dispor. Ele me agraciou com uma história, dessas que ocorrem durante a valsa entre dois dançarinos hindus chamados de: espaço e tempo.

 

A história falava sobre a amizade entre um menino e um golfinho, e que graças a esta relação de amizade, o animal foi desenvolvendo acrobacias e malabarismos como forma de brincar e interagir com o garoto. Essas brincadeiras com ares de show circense foram atraindo pessoas de longe para conhecer e assistir ao espetáculo que ali acontecia.

 

Mas toda essa migração de pessoas de outras localidades começou a onerar o reino local, que se via obrigado a dar abrigo e comida para aquela multidão que ali se aglomerava, ansiosa para ver o menino e seu golfinho. O que o rei resolveu fazer então para sanar o problema? Matou o golfinho...

 

Antes que alguém possa pensar que esta história pretende falar sobre os políticos em geral, que com suas tantas atitudes cegas e burras acabam matando verdadeiros tesouros, no intuito simplista de resolver problemas administrativos, se enganou. Quero dizer que o rei está dentro de nós. Pois nossos atos geram políticos decepcionantes, matam golfinhos artistas e destroem presentes valiosos que deixamos de lado por não entendê-los como presentes. Ao cobiçar o jarro de ouro em um deserto, muitas vezes desperdiça-se a preciosa água guardada dentro dele, que poderia salvar uma vida.

 

Bons presentes devem ser partilhados, e por isso resolvi compartilhar de forma escrita esta bela história. E você? Já presenteou alguém, ou recebeu de presente algo que considera especial?

 

NOVA NOTA DO AUTOR: Produzi um filme no Youtube (escrito, dirigido e encenado por este eterno aprendiz de escritor), se quiser assistir ao filme e quem sabe dar boas risadas, basta acessar o Youtube e procurar por: “3D – Hoje é seu aniversário” (o filme foi feito em padrão 3D). Quem quiser também pode me pedir uma cópia em PDF do meu livro: “Hoje é seu aniversário – PREPARE-SE”, disponível pela editora AGE (www.editoraage.com.br), ou para fazer parte de minha lista de leitores, que recebem semanalmente meus textos, para isso basta enviar um e-mail para: abrasc@terra.com.br.

 

Site: recantodasletras.uol.com.br/autores/abrasc

 

ULTIMA DICA: Divulgue este texto aos seus amigos (vale tudo, o blog da titia, o Orkut do cunhado, o MSN do vizinho, o importante é espalhar cada texto como sementes ao vento). Mas, caso não goste, tenha o prazer de divulgá-lo aos seus inimigos (entenda-se como inimigo, todo e qualquer desafeto ou chato que por ventura faça parte de um pedaço de sua vida ou tente fazer sua vida em pedaços).

 

 

 

sábado, 4 de setembro de 2010

A criança diferente e... VERDE? (Autor: Antonio Brás Constante)

A criança diferente e... VERDE?

(Autor: Antonio Brás Constante)

 

O menino foi batizado com o nome de “Ádveno”. Seria considerada praticamente uma criança normal, não fosse o tom meio esverdeado de sua pele. Um verde discreto que dependendo da luz mal podia ser percebido. Outro detalhe diferente era as suas sobrancelhas, que ao invés de serem feitas de pelos, eram formadas por pequenos carroços, como se fossem espinhas ou verrugas. Havia também um sinal em sua testa em forma de triângulo virado, mas nada com que se preocupar como diriam seus pais.

 

O garoto foi crescendo. Aos dois anos conseguia mover pequenos objetos pela casa com a força da mente. Seus olhos ganharam uma cor amarelada e seu cabelo não cresceu. Seus pais achavam que o problema do cabelo poderia ser disfarçado com certa facilidade, e que ele se tornaria popular na escola por conseguir levitar as coisas, ou seja, nada com que se preocupar.

 

Aos quatro anos ele ainda não falava nada compreensível, emitia alguns grunhidos apenas. Algo como: “pll’kwl’ugl” ou coisa parecida. Seus pais diziam que ele estava falando: “Mamãe”, mas que talvez tivesse a língua presa. O pai ainda brincava dizendo aos que consideravam aquele comportamento estranho, que a tal expressão “pll’kwl’ugl”, na verdade queria dizer: “Leve-me ao seu líder ou arranco suas entranhas pelo umbigo”, e depois soltava boas risadas diante dos olhos arregalados de seus conhecidos. A mãe lhe repreendia com o olhar, mas no fim os dois acabavam afirmando em coro que não havia nada com que se preocupar.

 

Com pouco mais de cinco anos, o menino viu um pronunciamento do presidente da república pela televisão, começou a apontar para o aparelho e gritar “pll’kwl’ugl!”, “pll’kwl’ugl!”. O pai ficou olhando para ele admirado com aquela atitude. A criança ao perceber que o homem não entendia seu pedido, começou a arranhar a barriga dele, enfiando o dedo em seu umbigo. O pai colocou-o de castigo, e para evitar novas crises do menino, resolveu vender a televisão. Mas é claro que não havia nada com que se preocupar.

 

Em 2012 o menino completou dez anos, e seus pais o levaram para visitar a capital do País. Não sabiam bem explicar porque decidiram fazer aquilo, simplesmente foram levados por um impulso. Ao chegar lá resolveram passear na sede do governo. Como era a semana da pátria, estava ocorrendo ali um desfile com a presença do presidente, que seguia sorridente em um veículo sem capota através da multidão de pessoas. Ele estava cercado por inúmeros policiais, guarda-costas e com a presença do exército. Um desfile feito com todo cuidado e muita segurança, ou seja, um lugar onde não havia nada com que se preocupar.

 

Os pais foram se aproximando do cordão de isolamento para esperar a passagem do presidente. Ali, para surpresa de ambos, puderam perceber outras crianças de pele esverdeada e com os tais calombinhos desenhando as sobrancelhas. Eram dezenas de crianças com a mesma aparência de seu filho, porém, sem o tal triângulo na testa. Ao perceberem a chegada do menino, toda aquela criançada baixou levemente a cabeça fazendo uma espécie de aceno com as mãos. Ele então se dirigiu a um dos policiais que impediam a passagem dos civis e ordenou: “pll’kwl’ugl!”. O homem soltou uma risada olhando para os pais do garoto e perguntou o que ele estava dizendo? Mas antes que qualquer coisa fosse respondida, o menino avançou sobre o policial, enfiando sua mão como uma lança no corpo dele, atravessando-o pelo umbigo e arrancando suas entranhas. Os outros meninos fizeram o mesmo com os demais guardas, juntando as mãos e lançando raios de seus olhos em direção aos carros de patrulha, fazendo com que os veículos explodissem. Dois meninos voaram em direção ao presidente. A partir daquele momento os pais de Ádveno começaram a se preocupar...

 

NOVA NOTA DO AUTOR: Produzi um filme no Youtube (escrito, dirigido e encenado por este eterno aprendiz de escritor), se quiser assistir ao filme e quem sabe dar boas risadas, basta acessar o Youtube e procurar por: “3D – Hoje é seu aniversário” (o filme foi feito em padrão 3D). Quem quiser também pode me pedir uma cópia em PDF do meu livro: “Hoje é seu aniversário – PREPARE-SE”, disponível pela editora AGE (www.editoraage.com.br), ou para fazer parte de minha lista de leitores, que recebem semanalmente meus textos, para isso basta enviar um e-mail para: abrasc@terra.com.br.

 

Site: recantodasletras.uol.com.br/autores/abrasc

 

ULTIMA DICA: Divulgue este texto aos seus amigos (vale tudo, o blog da titia, o Orkut do cunhado, o MSN do vizinho, o importante é espalhar cada texto como sementes ao vento). Mas, caso não goste, tenha o prazer de divulgá-lo aos seus inimigos (entenda-se como inimigo, todo e qualquer desafeto ou chato que por ventura faça parte de um pedaço de sua vida ou tente fazer sua vida em pedaços).

 

 

 

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Se lixando para o lixo... (E A MÃE, VAI BEM?) - (Autor: Antonio Brás Constante)

Se lixando para o lixo... (E A MÃE, VAI BEM?)

(Autor: Antonio Brás Constante)

 

O mar esconde mistérios, aonde muitas vezes estes mistérios chegam através de misteriosos navios, com seus ainda mais misteriosos containeres. Mas, ao abrir essas aparentemente inofensivas caixas de pandora, o que encontramos dentro desses cavalos de tróia forjados no mais sujo aço? LIXO.

 

Por esses dias noticiaram mais um caso de lixo enviado ao nosso quintal, vindo através pelo oceano diretamente de outro continente (desta vez de um vizinho alemão), que por não achar algum cantinho mais adequado dentro das fronteiras do seu quintal europeu (que lhe servisse de depósito de detritos), resolveu de um jeito bem promíscuo (para não dizer FDP) aqui largar o seu incômodo lixo.

 

Eles poderiam nos enviar flores, como política de boa vizinhança. Poderiam enviar pedras decoradas e escritas com mensagens de amizade (que provavelmente não entenderíamos por estarem escritas em alemão), ou até mesmo containeres cheios de cachorrinhos felpudos batizados de Lulu (algo tremendamente desumano com os pobres cãezinhos, e talvez por isso mesmo bem fácil de acontecer). Mas ao invés disto, nos enviaram o mais impuro resíduo puramente humano que o mundo industrializado pode gerar, ou seja, vinte e duas toneladas de lixo.

 

O ser humano tem uma capacidade infeliz de se livrar de seus problemas colocando eles no pátio dos outros. Cansamos de ver gente jogando seu lixo em terrenos baldios, em valos, em praças, etc. Muitas vezes na calada da noite, para que ninguém veja sua porquice e descaso com os demais semelhantes (se bem que pessoas assim têm mais semelhanças com porcos, apesar de que no caso dos porcos, a porquice é uma falta de opção).

 

Mas o problema não é apenas em nosso País. Lembro que ouvi algo a respeito de uma missão (de guerra ou de paz) em alguma outra parte deste nosso redondo orbe, onde os militares tentaram conscientizar as pessoas de lá a armazenarem seus resíduos e promover uma coleta de lixo, porque eles simplesmente largavam tudo em volta de suas moradas, mas a primeira coisa que as pessoas do povoado perguntaram, foi sobre o que ganhariam para fazer aquele “trabalho”.

 

Então chegamos a uma lei bem brasileira: a lei de Gérson. A lei de se levar vantagem em tudo. Sempre tem aqueles que pensam: “Meu animalzinho morreu... Pobrezinho, eu o amava tanto... Enterro ele? NÃO! Vou colocá-lo (se muito) em uma sacola e jogá-lo ao relento, de preferência em algum lugar longe de minha casa, para não sentir o cheiro de carniça podre”. Se alguém quiser que enterre ele depois, ou recolha-o e quem sabe, com sorte, jogue-o na frente da casa do ex-dono que se descartou de forma tão animal, de seu fiel amiguinho mortinho.

 

Sei que muitos não gostam de ouvir, ler, sentir o cheiro, ou mesmo imaginar qualquer coisa que se relacione com a política, mesmo que suas vidas sejam guiadas diretamente por este produto de cunho social (e mesmo assim eles nem se dêem conta disto). Mas já que estamos falando de lixo, nada mais justo que pensarmos em toda energia transformada em detritos que ocorre nesta época do ano eleitoral.

 

O lixo verbal, o lixo televisivo, o lixo tomando as ruas em forma de panfletos, em forma de banners, de cartazes colados em cada recanto pelo qual passamos. O lixo intragável da falácia, da mentira, da desonestidade (todo este lixo nada mais é do que um subproduto do luxo de vivermos em uma democracia). O lixo em que muitos transformam o seu direito de votar. E assim como o vôo da siriema vesga não altera o curso dos rios, vale a pena lembrar que para se sujar o corpo basta trabalhar no lixo, porém, para se sujar a alma, o jeito mais eficaz que existe ainda é entrar para o mundo da política.

 

NOVA NOTA DO AUTOR: Produzi um filme no Youtube (escrito, dirigido e encenado por este eterno aprendiz de escritor), se quiser assistir ao filme e quem sabe dar boas risadas, basta acessar o Youtube e procurar por: “3D – Hoje é seu aniversário” (o filme foi feito em padrão 3D). Quem quiser também pode me pedir uma cópia em PDF do meu livro: “Hoje é seu aniversário – PREPARE-SE”, disponível pela editora AGE (www.editoraage.com.br), ou para fazer parte de minha lista de leitores, que recebem semanalmente meus textos, para isso basta enviar um e-mail para: abrasc@terra.com.br.

 

Site: recantodasletras.uol.com.br/autores/abrasc

 

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sábado, 21 de agosto de 2010

OS DOIS TIPOS DE CAFEZINHO LEVARAM O MEU TROQUINHO.(Autor: Antonio Brás Constante)

OS DOIS TIPOS DE CAFEZINHO LEVARAM O MEU TROQUINHO.

(Autor: Antonio Brás Constante)

 

Vou falar de dois tipos de cafezinhos, um deles é feito com café e o outro... Também. É como no caso dos crimes, a raça humana é a mesma, o que muda é sua composição financeira, sua marca, sua “qualidade” diante de seus atos de amoralidade. Uns são pobres e outros ricos.

 

O café de coador (com filtro ecológico ou não) é até parecido com um colarinho branco, é bem preparado, refinado, tem aroma agradável (apesar de não cheirarem bem) e é feito geralmente em bons ambientes (boas escolas, bons bairros, bons lares, etc.).

 

O crime tipo “café solúvel” sai de qualquer jeito, meio de improviso, é torrado e queimado pela sociedade. Possui gosto duvidoso, sendo 100% marginalizado. É do tipo rotulado, que a maioria engole sem gostar.

 

Os crimes de colarinho branco são pomposos, requintados enquanto os crimes marginais são geralmente requentados. Um é servido em xícaras de porcelana com colheres de prata, já o outro vai servido no copinho de plástico mesmo, mexido com colerinhas também de plástico ou até mesmo com o próprio dedo.

 

Mas em momento algum desejo dizer que um é melhor do que o outro, ao contrário, no fundo os dois são iguais (indiferente se lá no fundo alguém encontre rastros de adoçante ou dólares), apenas um é mais bem preparado que o outro. O café “colarinho branco“ tem mais rebusco e bons discursos para subtrair nossos parcos recursos (nada de: “passa a grana”, e sim: “conto com seu voto, amigo eleitor...”).

 

Talvez a analogia fosse mais bem entendida se utilizássemos a cachaça e o uísque importado, já que o estrago ao organismo seria praticamente o mesmo, porém, o uísque é um veneno que vem embalado de forma bem mais sofisticada e com cifras infinitamente mais caras.

 

Enfim, no final das contas o café, assim como o crime, é algo que todo mundo sempre acaba tomando. Onde a maior máquina expressa desse tipo de iguaria (recheada de mesquinharia) é o nosso (isso mesmo, meu, seu, NOSSO!) indelével e execrável Congresso Nacional.

 

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sábado, 14 de agosto de 2010

AS TRÊS REGRAS QUE APRENDI ATRAVÉS DAS TRÊS REGRAS - (Autor: Antonio Brás Constante)

AS TRÊS REGRAS QUE APRENDI ATRAVÉS DAS TRÊS REGRAS

(Autor: Antonio Brás Constante)

 

Nossa razão de existir é pautada por coisas concretas, mas escrita pela intangibilidade dos sonhos. Outro dia meu filho mais velho (mas ainda assim tão novo na idade de seus dez anos), resolveu (através da determinação daqueles em que o tempo ainda não maculou as esperanças com as dúvidas e fracassos, que vem com a pretensa experiência que carregamos em nossa fase adulta) que queria ser jogador de futebol.

 

Até aí nenhuma novidade, já que de cada dez meninos, doze querem ser jogadores de futebol em nosso País das maravilhas. Pena que para esses doze pequenos indivíduos terem sucesso em uma carreira tão disputada, eles terão que se destacar perante outros doze milhões de meninos, para somente assim alcançarem o êxito no mundo da bola e em formato de bola, que não parece dar muita bola para tantas outras coisas importantes.

 

Quando se quer fortalecer um sonho deve-se utilizar a motivação para que ele brilhe, gere luz própria e passe a servir de foco para o futuro. Pensando em tudo isso resolvi dar alguns conselhos para meu rebento, algo que pudesse inspirá-lo e lhe servir de base para fazê-lo seguir em frente. Fechei os olhos buscando alguma sabedoria “zen transcendental” que pudesse utilizar nesse intento, mas o máximo de pretensos pensamentos orientais que vieram a minha mente foram as lembranças dos comerciais de massas instantâneas tipo miojo.

 

Somente após comer o tal miojo mentalmente é que pude finalmente desobstruir meu cérebro direcionando ele para os aprendizados de minha eterna e sabia professora, a Vida (ela é a orientadora universal de todos os seres vivos). Já falei dela em alguns de meus textos. Dona vida começa a nos ensinar já a partir do primeiro sopro de nossa existência, e suas aulas seguem até o nosso último e derradeiro suspiro.

 

Com ela aprendi três importantes regras. A primeira é que devemos ter prazer naquilo que fazemos. Quando acordamos pela manhã, por mais frio e chuvoso que esteja, podemos levantar da cama nos sentindo mal-humorados, chateados, sem vontade de cantar uma bela canção e achando que o dia vai ser péssimo, ou abraçar este mesmo dia como quem abraça um amigo. Sairmos dispostos a melhorar o astral geral. Isso ganha força quando desejamos algo. Por exemplo, se me perguntassem se valeu a pena me expor ao ridículo fazendo um certo filme no Youtube, onde contracenei com meu sobrinho e jogamos farinha, ovos, erva-mate, etc. um no outro (para assistir ao filme, basta procurar por “3D – Hoje é seu aniversário”, meu primeiro filme em padrão 3D), eu responderia que sim. Com certeza SIM. Quando tentamos algo, mesmo que não saia como esperamos, damos mais um empurrão em nossos sonhos.

 

A segunda regra é sempre buscar aprender algo nas coisas que fazemos, se você entra em um jogo onde é o mais fraco, não desanime, aprenda com os mais fortes, e se você for um dos mais fortes, também não desanime achando a partida uma perda de tempo, ensine e motive os mais fracos. Aprendemos muito quando ensinamos, quando nos doamos.

 

A terceira e última regra é a de procurarmos sempre trabalhar em prol da equipe onde estamos inseridos (afinal somos seres sociais que vivem em sociedade), somando esforços ao grupo. Seja este um grupo de amigos, um time esportivo, uma empresa, ou nossa própria família. Poder colocar a cabeça tranqüilamente no travesseiro ao final do dia tendo a certeza que fizemos o nosso melhor para aqueles que nos rodeiam não tem preço. É como em um jogo de futebol, você entra ali, e muitas vezes não te passam a bola, não demonstram confiança em você, te deixam de escanteio, mas se você passar a bola, se você inspirar confiança, se você demonstrar que pode ocupar um lugar ali sem prejudicar os outros, ajudando-os a alcançarem seus objetivos. Aos poucos os vínculos vão se fortalecendo e a harmonia vai se estabelecendo em volta de todos.

 

Provavelmente, nem sempre conseguiremos por em prática as tais regras, mas isso não pode nos impedir de recomeçar a cada amanhecer na esperança de fazer com que aquele único dia se torne um dia único. Enfim, como já dizia Cora Coralina: "Feliz é aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina".

 

NOVA NOTA DO AUTOR: Produzi um filme no Youtube (escrito, dirigido e encenado por este eterno aprendiz de escritor), se quiser assistir ao filme e quem sabe dar boas risadas, basta acessar o Youtube e procurar por: “3D – Hoje é seu aniversário” (o filme foi feito em padrão 3D). Quem quiser também pode me pedir uma cópia em PDF do meu livro: “Hoje é seu aniversário – PREPARE-SE”, disponível pela editora AGE (www.editoraage.com.br), ou para fazer parte de minha lista de leitores, que recebem semanalmente meus textos, para isso basta enviar um e-mail para: abrasc@terra.com.br.

 

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