sábado, 16 de outubro de 2010

Controlando o IMC para não ir parar no IML.(Autor: Antonio Brás Constante)

Controlando o IMC para não ir parar no IML.

(Autor: Antonio Brás Constante)

 

As siglas IMC (Índice de Massa Corporal) e IML (Instituto Médico Legal) são até bem parecidas, apesar de se referirem a coisas bem diferentes. Infelizmente se não dermos atenção a primeira, poderemos estar acelerando nossa derrocada rumo a segunda.

 

O IMC é determinado pegando-se a massa do indivíduo (não estou falando da massa que muitos andam consumindo com queijo ralado e molho, quando o correto deveria ser trocá-la por um parco pratinho de saladas), e dividindo-a pelo quadrado de sua altura (que pode destoar do círculo em que se encontra sua atual circunferência), onde a massa está em quilogramas (e deve ficar a quilômetros de distância de sua boca) e a altura está em metros. É através de cálculos como esse, que aprendi que não sou gordinho, e sim um pouco baixo para o peso que tenho (já escrevi isso em outros textos, mas gosto de repetir esta ideia, como quem recita um mantra enquanto bebe um copo de Fanta).

 

Vivemos em um mundo cheio de obrigações, deveres e prazos, e para aliviar um pouco deste stress vamos nos permitindo pequenos pecados à mesa. Estes pecados tendem a se acumular em nossas células de gordura até que sentimos o nosso corpo tão pesado quanto à consciência daqueles que se arrependem de ter pecado.

 

A diferença é que ao invés de irmos a um padre em busca de apoio e orientação, vamos até um médico, que examina nossos atos e, diante de nossa vida desregrada, passa severas penitências, denominadas: DIETAS. Tudo isso para voltarmos ao salutar e sofrível caminho das pessoas saudáveis (se bem que não existem necessariamente pessoas saudáveis, apenas pessoas que não foram examinadas o suficiente para que se encontrassem suas doenças).

 

Entre as penitências a serem rigorosamente seguidas, está o controle na hora das comemorações (casamentos, aniversários, formaturas, etc.), pois temos certa disposição natural a utilizar estas datas como desculpa para nos esbaldarmos nos sabores de vários quitutes que depois só nos trazem dissabores. E assim como os canibais fazem em suas confraternizações tribais, nós também gritamos entusiasmados: “Vamos comer, gente!” (só que no caso dos canibais a referida expressão é dita sem a virgula).

 

O hábito alimentar também é algo que nos atormenta. Por exemplo, desde que o ser humano descobriu os prazeres de comer coisas mortas, transformou-se em um urubu social, com um apetite carnívoro, tão voraz como o de qualquer piranha. A ideia de se comer folhinhas verdes foi relegada a outros mamíferos, como as nossas queridas vaquinhas malhadas. Podemos dizer mesmo que somos como as piranhas, e como todos sabem não existem muitas noticias de piranhas vegetarianas por aí, ao contrário, as piranhas adoram carne, tanto que não seria raro de se ouvir (caso fosse possível) algum papo entre piranhas, onde uma cutucaria a outra e, apontando para uma vaca sem uma das orelhas e sem o rabo, diria: “Ta vendo aquela mimosa ali? Pois é, tô comendo...”.

 

Realmente é muito difícil reverter esta atração pela carne, já que uma das poucas vezes em que o homem repugna este hábito é quando ele morde a própria língua, e como já diria aquela velha frase por mim agora parafraseada: “mordida na língua dos outros é refresco”.

 

Mas voltando as obrigações do dia-a-dia, vamos utilizar como exemplo uma academia de ginástica, onde empregamos esforço, suor e dedicação e isto lembra as atividades exercidas em locais de serviço, algo que queremos distância nas poucas horas de folga que dispomos. Por outro lado, comer guloseimas dá prazer, algo desejável antes, durante e após um estafante dia de trabalho. Tudo isso pode inclusive afetar a pressão arterial. A minha pressão (para se ter uma ideia) é de doze por oito, e seria ótima se não fosse uma pressão do tipo IBOPE (com uma taxa de erro gerando uma diferença de vinte e cinco pontos percentuais, para mais ou para menos).

 

Enfim, apesar de todas estas ponderações, é importante saber que controlando nosso IMC poderemos viver melhor e postergar para mais tarde a nossa derradeira ida ao IML, e um bom jeito de fazer isso é através de exercícios. Foi por isso que comecei a fazer academia, mas ao contrário de muitos que saem de lá se queixando de dores por todo corpo, comigo isso não aconteceu, ainda ontem fiz minha primeira aula, executando as atividades físicas ao máximo, chegando em casa e me atirando no sofá, sem sentir absolutamente nada, já que não sentia mais os bracinhos, não sentia mais as perninhas, nem o pescoçinho... Putz! Acho que exagerei...

 

NOVA NOTA DO AUTOR: Produzi um filme no Youtube (escrito, dirigido e encenado por este eterno aprendiz de escritor), se quiser assistir ao filme e quem sabe dar boas risadas, basta acessar o Youtube e procurar por: “3D – Hoje é seu aniversário” (o filme foi feito em padrão 3D). Quem quiser também pode me pedir uma cópia em PDF do meu livro: “Hoje é seu aniversário – PREPARE-SE”, disponível pela editora AGE (www.editoraage.com.br), ou para fazer parte de minha lista de leitores, que recebem semanalmente meus textos, para isso basta enviar um e-mail para: abrasc@terra.com.br.

 

Site: recantodasletras.uol.com.br/autores/abrasc

 

ULTIMA DICA: Divulgue este texto aos seus amigos (vale tudo, o blog da titia, o Orkut do cunhado, o MSN do vizinho, o importante é espalhar cada texto como sementes ao vento). Mas, caso não goste, tenha o prazer de divulgá-lo aos seus inimigos (entenda-se como inimigo, todo e qualquer desafeto ou chato que por ventura faça parte de um pedaço de sua vida ou tente fazer sua vida em pedaços).

 

 

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

O SUPER HIPER GAME - (AUTOR: Antonio Brás Constante)

O SUPER HIPER GAME

(AUTOR: Antonio Brás Constante)

 

Nas últimas décadas, jovens de todo mundo se aficionaram nos famosos jogos virtuais: “games”. É mais que uma febre é um novo jeito de viver (já que se gasta muito tempo e dinheiro nestas brincadeiras). O Game é considerado por uns como uma doença e por outros como um simples brinquedo. E como estamos próximos ao dia das crianças, nada melhor do que falar sobre este assunto.

 

São crianças e adolescentes (dos três aos noventa anos, ou mais), que passam horas e horas na frente de uma TV ou computador, enfrentando uma infinidade de monstros, guerras e disputas de todos os tipos.

 

Para conseguirem ir bem nestas batalhas, eles precisam memorizar seqüências de toques nos joysticks e teclados, ou seja, precisam saber das “manhas” para ganhar às disputas.

 

Agora imagine um jogo que ultrapasse todos os conceitos de modernidade dos atuais. Algo que vai muito além da realidade virtual. As aventuras que aconteceriam diretamente na mente do usuário, sem a necessidade de se clicar em diversos botões, ou mesmo ter que depender de um videogame, computador, ou energia elétrica.

 

Para jogar, a energia necessária viria do próprio corpo da pessoa. Tudo acontecendo em tempo real dentro de sua cabeça. Não existiriam restrições para o que se poderia fazer.

 

Você não estaria limitado apenas às imagens lançadas em tela, nem ficaria somente assistindo ao seu herói vencendo as lutas, ao contrário, o jogador passaria a ser o próprio lutador, vivendo na pele, às glórias e frustrações do jogo.

 

Também não teria que ficar decorando mil e um macetes. Seria tudo tão simples quanto ler este texto, mas ao mesmo tempo possuiria uma complexidade e realismo, que deixaria qualquer um totalmente viciado em conhecer cada vez mais novos jogos.

 

Seria fantástico não é? Já posso ver o brilho nos olhos de milhões de maníacos por games, desejando ter este fantástico equipamento para poderem se transportar imediatamente ao mundo onde acontecessem as tais aventuras. Tudo tão real, tão fantasticamente vivo. Mas será possível algum dia alguém conseguir criar algo assim?

 

Tenho uma excelente notícia para todos os que estão lendo este texto e gostariam de experimentar o que foi descrito acima. O supergame do qual falei até o momento já existe. Não é delírio, ou apenas ficção, é concreto. Está a venda em vários lugares e é conhecido aqui no Brasil como: “LIVRO”.

 

NOVA NOTA DO AUTOR: Produzi um filme no Youtube (escrito, dirigido e encenado por este eterno aprendiz de escritor), se quiser assistir ao filme e quem sabe dar boas risadas, basta acessar o Youtube e procurar por: “3D – Hoje é seu aniversário” (o filme foi feito em padrão 3D). Quem quiser também pode me pedir uma cópia em PDF do meu livro: “Hoje é seu aniversário – PREPARE-SE”, disponível pela editora AGE (www.editoraage.com.br), ou para fazer parte de minha lista de leitores, que recebem semanalmente meus textos, para isso basta enviar um e-mail para: abrasc@terra.com.br.

 

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sábado, 2 de outubro de 2010

SUPER-HERÓI - DINDHY, A MENINA QUE PERDIA OS CHINELOS (Autor: Antonio Brás Constante)

SUPER-HERÓI – DINDHY, A MENINA QUE PERDIA OS CHINELOS

(Autor: Antonio Brás Constante)

 

Dindhy era, aparentemente, uma menina normal que vivia em um mundo louco, tão louco quanto o nosso, mas com um detalhe: lá existiam super-heróis. Seu pai tinha superpoderes, sua mãe também, e suas tias, primos e vizinhos. Até seu cachorro e o papagaio tinham superpoderes, e o fato mais importante é que eram poderes legais, bem legais, tais como: capacidade de voar, ficar invisível, atravessar paredes, etc. Dindhy também tinha um poder, mas seu poder não lhe trazia muitas alegrias, nem impressionava a garotada, pois Dindhy era conhecida em seu mundo como: A MENINA QUE PERDIA OS CHINELOS. Algo realmente cômico para alguns, mas desanimador para a pobre garota.

 

Talvez você ache graça de um poder assim, mas esta capacidade peculiar de desaparecer com os próprios chinelos já salvara a vida dela e de seus amigos em várias situações, como na vez em que o Doutor Louco (sim, também existiam super vilões no mundo de Dindhy, do contrário seu universo não teria muito sentido, e seria ainda mais parecido com o nosso) tentou acabar com a cidade da menina, e teria conseguido, mas quando tudo parecia perdido o Capitão Relâmpago (pai de Dindhy) milagrosamente encontrou um chinelo perdido, próximo de onde estava preso, conseguindo arremessá-lo na alavanca responsável pela tranca das celas de contenção, soltando os outros super-heróis ali aprisionados e detendo o Doutor Louco, que teve seus planos arrasados por um simples chinelo. E de quem era aquele chinelo perdido? Da Dindhy, é claro.

 

No princípio a mãe de Dindhy achava que era desleixo da garota perder seus chinelos a toda hora, e o que era pior, eles acabavam reaparecendo nos lugares mais inconvenientes, como na vez em que surgiram dentro da tigela de ponche, em um evento de comemoração do aniversário da rainha Glória, um verdadeiro vexame. Mas quando seus pais descobriram que aquilo não era simples travessura de criança e sim um poder latente, a menina passou a ser treinada na esperança de que seus poderes somente se manifestassem em situações em que pudessem ser úteis, sem estragar a festa de ninguém.

 

Dindhy tinha um amigo chamado Cyelo (que se referia a Dindhy como sendo sua princesa), que também possuía um estranho poder. Ele controlava a fumaça dos cigarros, charutos e similares. Cyelo tinha uma aparência cansada e envelhecida, apesar de ter apenas vinte e dois anos de idade (sete a mais do que Dindhy), a explicação para isso era bem simples, pois para gerar a fumaça necessária para manipulação de seus poderes ele precisava muitas vezes fumar vários cigarros de uma vez, e como todos sabem fumar causa envelhecimento precoce.

 

Os poderes de Cyelo surgiram ainda no início de sua adolescência, quando conseguiu controlar a fumaça do charuto de seu Avô, escrevendo no ar um palavrão que vivia sendo dito em sua casa por seus pais e seu avô (pessoas normais e sem poderes). Mas apesar de praguejarem aquela expressão a toda hora, a família de Cyelo ficou horrorizada com ele, pois achavam indecente ver tal palavra flutuando no ar, ainda mais sendo escrita por um rapazinho cheio de espinhas, e que diferentemente deles, demonstrava ter aptidões especiais.

 

Pelas convenções descritas no manual supremo dos super-heróis (um livro sagrado que contava a história de Arhtim o iluminado e os doze guerreiros da luz, e de seu pai o grande SUED), Cyelo, tendo sangue heróico, somente poderia fumar para gerar a fumaça necessária ao uso de seus poderes a partir dos dezoito anos, pois não era permitido que menores de idade, “tocados pelo tom do poder”, fumassem. No máximo ele poderia atuar de forma passiva, ou seja, utilizando a fumaça do cigarro de outros fumantes para combater o crime. Por outro lado os heróis (inclusive menores de idade) poderiam mutilar e espancar supostos marginais a qualquer momento, ou mesmo destruir livremente o patrimônio alheio, desde isso ocorresse de forma heróica, mas teriam que obedecer a um rígido código de conduta, onde, por exemplo, não poderiam praguejar em público, tirar vidas (exceto em casos extremos e comprovadamente heróicos), ou expor menores de dezoito anos (dotados de superpoderes) a vícios que de alguma forma maculassem a classe de heróis, pois ostentar uma imagem ilibada junto à sociedade era dever sagrado dos super-heróis.

 

Uma vez Cyelo enfrentou problemas ao tentar impedir um crime em um restaurante onde era proibido fumar. Cyelo, já com dezoito anos, bem que tentou agir, chegando ao local com seis cigarros acessos na boca, mas antes que pudesse atacar o bandido, foi forçado a se retirar do recinto por um dos garçons, que disse preferir correr o risco de levar um tiro a ser vítima de um enfisema pulmonar.

 

Cyelo de vez em quando tentava animar Dindhy (muitos achavam que ele gostava de uma forma especial daquela garota), dizendo que seus poderes também não eram lá grande coisa, já que as mulheres se afastavam dele por causa de seu hálito de cinzeiro. Mas se havia uma coisa que sempre o motivava a continuar com aquela carreira de herói-fumante eram as gravações dos comerciais antigos que ele assistia dos cigarros MalToro e Emhollywood, com músicas empolgantes e cenas incríveis, que despertavam em qualquer um a vontade de viver e de fumar.

 

O futuro, porém, não seria generoso com Cyelo, que descobriria anos mais tarde que poderia manipular a fuligem dos canos de descarga dos automóveis para utilizar como arma, não precisando mais fumar para municiar de fumaça os seus poderes, mas seria tarde demais, pois nesta época ele já teria desenvolvido um tipo de câncer pulmonar.

 

Dindhy também acabou enfrentando problemas em seu futuro, mesmo depois de saber que através de seus poderes poderia perder qualquer coisa. Ela foi até lançada como garota propaganda de um novo produto no mercado para perda de peso. Porém, a ampliação dos próprios poderes não lhe ajudaria muito quando em uma bela noite de outono, descobriria ter perdido sua aliança de casamento (a capacidade dela em perder coisas não serviu como desculpa). A aliança acabou sendo encontrada por seu esposo Kayo das pontes Altas, na cama de seu melhor amigo, quando Kayo foi lhe fazer uma visita de cortesia para jogar uma ou duas partidas de buraco entre amigos. Isso aconteceu no dia seguinte à perda do precioso anel. Após este episódio, Dindhy perdeu o marido, a guarda dos filhos, a casa e o carro (seriam seus próprios poderes agindo contra ela?).

 

O derradeiro golpe de misericórdia viria quando ela soubesse que os seus anos de combate ao crime ao lado do amigo Cyelo (que muitos consideravam seu amante), teriam colaborado para que contraísse uma terrível doença, já que de tanto aspirar à fumaça dos cigarros de seu colega, Dindhy tornara-se uma fumante passiva, com mazelas irreparáveis a sua saúde. Uma parceria que se mostrou tóxica, mas bela enquanto durou.

 

Assim termina a história da menina que perdia os chinelos, e se por algum motivo você achou que a leitura de todo este texto foi uma tremenda perda de tempo, isto pode significar que, de algum modo, os poderes dela também afetaram você...

 

(Dedico este texto aos meus filhos que vivem perdendo as coisas, inclusive os chinelos, e a todas as pessoas que de alguma forma são especiais e em muitos casos acabam perdendo coisas importantes na vida, sem muitas vezes se dar conta disso...)

 

NOVA NOTA DO AUTOR: Produzi um filme no Youtube (escrito, dirigido e encenado por este eterno aprendiz de escritor), se quiser assistir ao filme e quem sabe dar boas risadas, basta acessar o Youtube e procurar por: “3D – Hoje é seu aniversário” (o filme foi feito em padrão 3D). Quem quiser também pode me pedir uma cópia em PDF do meu livro: “Hoje é seu aniversário – PREPARE-SE”, disponível pela editora AGE (www.editoraage.com.br), ou para fazer parte de minha lista de leitores, que recebem semanalmente meus textos, para isso basta enviar um e-mail para: abrasc@terra.com.br.

 

Site: recantodasletras.uol.com.br/autores/abrasc

 

ULTIMA DICA: Divulgue este texto aos seus amigos (vale tudo, o blog da titia, o Orkut do cunhado, o MSN do vizinho, o importante é espalhar cada texto como sementes ao vento). Mas, caso não goste, tenha o prazer de divulgá-lo aos seus inimigos (entenda-se como inimigo, todo e qualquer desafeto ou chato que por ventura faça parte de um pedaço de sua vida ou tente fazer sua vida em pedaços).

 

 

sábado, 25 de setembro de 2010

ESTÁGIO... Começo e fim em ciclos (Autor: Antonio Brás Constante)

ESTÁGIO... Começo e fim em ciclos

(Autor: Antonio Brás Constante)

 

Antes de começar um frio percorre sua espinha, antecipando o medo do novo estágio. Trabalhar com pessoas estranhas, tendo de aprender uma série de rotinas totalmente desconhecidas do que agora é seu mundo.

 

No primeiro dia a sensação de mal-estar se concentra no estômago. As horas vão passando, cheias de nomes e serviços que entram e saem de sua cabeça. Tudo é tão intenso, tão surreal. A cada momento algo novo, seja um rosto, uma tarefa ou um local dentro da empresa. Você não parece pertencer aquele lugar. Sentimentos de solidão e desamparo lhe possuem, lhe abraçam, acompanhando você na sua jornada de trabalho.

 

Chega o final do primeiro mês. A insegurança diminui diante de cada novo dia. Aos poucos começa a fazer parte daquele lugar. Não confia totalmente nas pessoas, mas o sentimento de acolhida de algumas lhe faz bem. A neblina do desconhecido desvanece. Vai conseguindo ir adiante, apesar dos tropeções, normais quando se está aprendendo. Aos poucos passa a se sentir como um membro da equipe.

 

Após seis meses o sentimento que se tem é de que já é uma peça integrada a engrenagem daquele ambiente. Vários amigos conquistados. O domínio do trabalho que antes lhe assustava, agora é algo corriqueiro. Ainda há tanto para aprender, mas como é gostoso poder fazer as tarefas por suas próprias mãos, independentemente na maioria das vezes. Você tem as suas coisas, gavetas, folhagens, padronizações, fazendo cada vez parte do dia-a-dia da Empresa.

 

Então vem o final do primeiro ano. Alguns amigos se vão. Um cansaço toma conta de seu corpo e mente. Tanto tempo já se passou. Parece que faz anos e não meses que está ali. A partir desse momento, cada dia não será mais um dia. Agora a contagem é regressiva. Metade do estágio passou. Como um ano passa rápido.

 

Faltam seis meses para o final do seu contrato. Tantas pessoas novas nos setores. Você sente que sabe tudo do qual é encarregado. Está ciente do lugar de cada pasta. Têm disponíveis em sua memória todos os contatos profissionais. Possui o conhecimento calejado dentro de si. Ensina os novatos, e se sente importante pelo domínio que tem das tarefas que executa. Vez que outra se despede de outros veteranos, logo será sua vez.

 

Começa o ultimo mês na Empresa, difícil de acreditar que se passaram quase dois anos desde o primeiro dia. Quanta coisa aprendeu ali. Conhece cada pessoa e equipe. Sente-se como parte do lugar, como a mobília. Tantas alegrias e tristezas vividas. Não parece justo ter que sair. Você gosta do que faz, porém, logo terá de ir embora, mesmo não querendo. Pena, apesar de tudo, adora estar ali, não queria que acabasse assim.

 

Ultimo dia. Nos olhos dos colegas a saudade de alguém que está partindo, e a dor da perda daqueles que tiveram seus corações tocados por você. Um nó na garganta insiste em lhe fazer chorar. O dia é tão normal, tão parecido com os outros, com exceção que este é o seu último dia. No seu pensamento agora vem o gosto amargo do ressentimento ao lembrar que todo seu conhecimento será descartado, em sua maioria perdido. As suas gavetas passarão para outro, suas rotinas, anotações, pastas, tudo. Parece que sua vida será transferida para uma nova pessoa, que começara do zero em seu lugar, vivendo o que você viveu. É como se arrancassem parte de você. É cruel, mas não há o que se fazer. Somente aceitar. Você sabia das regras quando começou a trabalhar ali. Regras no papel, tão frias quando confrontadas com as lições da vida.

 

Um dia após o término do estágio. As sensações de vazio, tristeza e saudosismo mesclam-se em seus pensamentos. Você não verá mais todas aquelas pessoas, nem passará mais por aqueles corredores. Após dois anos tudo acabou. Não faz mais parte daquele lugar. Agora seu caminho é outro. Diferente daqueles com quem você por tanto tempo conviveu. A partir desse momento o jeito é respirar fundo e planejar um novo emprego. Quem sabe outro estágio. E quando acontecer, provavelmente um novo calafrio percorrerá sua espinha. Tudo novo... De novo.

 

NOVA NOTA DO AUTOR: Produzi um filme no Youtube (escrito, dirigido e encenado por este eterno aprendiz de escritor), se quiser assistir ao filme e quem sabe dar boas risadas, basta acessar o Youtube e procurar por: “3D – Hoje é seu aniversário” (o filme foi feito em padrão 3D). Quem quiser também pode me pedir uma cópia em PDF do meu livro: “Hoje é seu aniversário – PREPARE-SE”, disponível pela editora AGE (www.editoraage.com.br), ou para fazer parte de minha lista de leitores, que recebem semanalmente meus textos, para isso basta enviar um e-mail para: abrasc@terra.com.br.

 

Site: recantodasletras.uol.com.br/autores/abrasc

 

ULTIMA DICA: Divulgue este texto aos seus amigos (vale tudo, o blog da titia, o Orkut do cunhado, o MSN do vizinho, o importante é espalhar cada texto como sementes ao vento). Mas, caso não goste, tenha o prazer de divulgá-lo aos seus inimigos (entenda-se como inimigo, todo e qualquer desafeto ou chato que por ventura faça parte de um pedaço de sua vida ou tente fazer sua vida em pedaços).

 

 

sábado, 18 de setembro de 2010

A SINA DE UM ESCRITOR ANÔNIMO (Autor: Antonio Brás Constante)

A SINA DE UM ESCRITOR ANÔNIMO

(Autor: Antonio Brás Constante)

 

Pensando bem, ser um escritor desconhecido é uma veste que me cai bem, que lhe cai bem, que cai sobre os ombros de tantos outros também. Fora dos pedestais, procuramos alertas por sinais que se escondem de nossa procura. Nos desencontros de nossa lida de vida, escrita, transcrita, madura ou prematura. As tentativas frustradas são surras que levamos, por ousar almejar o reconhecimento que sonhamos.

 

A inexistência é o estigma que carregamos por toda existência. É nossa segunda pele, é o que sustenta nosso sentimento de impotência, diante de tantas potências que não enxergam o que lhes mostramos. E assim vão se passando milhares de horas, e assim vamos morrendo por dentro e por fora... Como ontem... Como agora.

 

Vagamos pela sombra de poucas estrelas, com idéias na mente e um lápis na mão. Portas fechadas à frente, caminhos interditados sem passagem aos nossos passos. Dedos gigantes apenas apontam para seguirmos viagem de volta à multidão, que segue sem alento rumo ao esquecimento.

 

“Este mundo não lhe pertence”, “DESISTE!”. “Teu trabalho é bom, mas não temos espaço para tal expressão”. “Tenta daqui a algumas semanas, meses, anos”. Sua presença indesejada teimosamente nesta estrada, só merece uma resposta amarga: “sinto muito, mas no momento não queremos nada”.

 

Desculpe-me foi engano, a verdade dolorida muitas vezes não deve ser dita. Esta maldita realidade imposta e de tal forma impossível de ser transposta. Aqui fico parado na beira desta carreira, como um caroneiro que espera em uma porteira pela passagem do sucesso. Sou tal qual a poeira exposta pelas ruas, que se perde na eternidade das veracidades nuas, destes pequenos versos...

 

NOVA NOTA DO AUTOR: Produzi um filme no Youtube (escrito, dirigido e encenado por este eterno aprendiz de escritor), se quiser assistir ao filme e quem sabe dar boas risadas, basta acessar o Youtube e procurar por: “3D – Hoje é seu aniversário” (o filme foi feito em padrão 3D). Quem quiser também pode me pedir uma cópia em PDF do meu livro: “Hoje é seu aniversário – PREPARE-SE”, disponível pela editora AGE (www.editoraage.com.br), ou para fazer parte de minha lista de leitores, que recebem semanalmente meus textos, para isso basta enviar um e-mail para: abrasc@terra.com.br.

 

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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

VOCÊ RECONHECE OS PRESENTES QUE GANHA? (Autor: Antonio Brás Constante)

NOTA DO AUTOR: Nesta data (09.09.2010) morreu um grande escritor Canoense, Antonio José Giacomazzi, e para prestar uma homenagem ao nobre amigo das letras, envio o texto abaixo, extraído e forjado em uma conversa casual com ele, em uma bela tarde de sol, tendo como platéia uma legião de livros. Espero que apreciem. ABC

 

VOCÊ RECONHECE OS PRESENTES QUE GANHA?

(Autor: Antonio Brás Constante)

 

Bons presentes muitas vezes não custam dinheiro, mas em virtude disto, custamos a reconhecê-los como presentes. Uma troca de palavras pode ser bem mais preciosa do que uma jóia. Foi o que aconteceu em um dos dias em que estive prestigiando a feira do livro de Canoas de 2009. Estava eu na praça vendo as pessoas rodeadas pelas árvores e as árvores rodeadas de pessoas, tendo os livros preenchendo todos os demais espaços vazios. Naquele dia tive a oportunidade de conversar um pouco com o patrono do evento.

 

Para quem não o conheceu, posso descrever o patrono daquela feira do livro, Antonio José Giacomazzi, como um jovem de um pouco mais de sessenta anos, poeta, artista plástico, escritor e dono de uma mente indomável, capaz de criar obras lindíssimas, usando os papéis ou pinceis ao seu dispor. Ele me agraciou com uma história, dessas que ocorrem durante a valsa entre dois dançarinos hindus chamados de: espaço e tempo.

 

A história falava sobre a amizade entre um menino e um golfinho, e que graças a esta relação de amizade, o animal foi desenvolvendo acrobacias e malabarismos como forma de brincar e interagir com o garoto. Essas brincadeiras com ares de show circense foram atraindo pessoas de longe para conhecer e assistir ao espetáculo que ali acontecia.

 

Mas toda essa migração de pessoas de outras localidades começou a onerar o reino local, que se via obrigado a dar abrigo e comida para aquela multidão que ali se aglomerava, ansiosa para ver o menino e seu golfinho. O que o rei resolveu fazer então para sanar o problema? Matou o golfinho...

 

Antes que alguém possa pensar que esta história pretende falar sobre os políticos em geral, que com suas tantas atitudes cegas e burras acabam matando verdadeiros tesouros, no intuito simplista de resolver problemas administrativos, se enganou. Quero dizer que o rei está dentro de nós. Pois nossos atos geram políticos decepcionantes, matam golfinhos artistas e destroem presentes valiosos que deixamos de lado por não entendê-los como presentes. Ao cobiçar o jarro de ouro em um deserto, muitas vezes desperdiça-se a preciosa água guardada dentro dele, que poderia salvar uma vida.

 

Bons presentes devem ser partilhados, e por isso resolvi compartilhar de forma escrita esta bela história. E você? Já presenteou alguém, ou recebeu de presente algo que considera especial?

 

NOVA NOTA DO AUTOR: Produzi um filme no Youtube (escrito, dirigido e encenado por este eterno aprendiz de escritor), se quiser assistir ao filme e quem sabe dar boas risadas, basta acessar o Youtube e procurar por: “3D – Hoje é seu aniversário” (o filme foi feito em padrão 3D). Quem quiser também pode me pedir uma cópia em PDF do meu livro: “Hoje é seu aniversário – PREPARE-SE”, disponível pela editora AGE (www.editoraage.com.br), ou para fazer parte de minha lista de leitores, que recebem semanalmente meus textos, para isso basta enviar um e-mail para: abrasc@terra.com.br.

 

Site: recantodasletras.uol.com.br/autores/abrasc

 

ULTIMA DICA: Divulgue este texto aos seus amigos (vale tudo, o blog da titia, o Orkut do cunhado, o MSN do vizinho, o importante é espalhar cada texto como sementes ao vento). Mas, caso não goste, tenha o prazer de divulgá-lo aos seus inimigos (entenda-se como inimigo, todo e qualquer desafeto ou chato que por ventura faça parte de um pedaço de sua vida ou tente fazer sua vida em pedaços).

 

 

 

sábado, 4 de setembro de 2010

A criança diferente e... VERDE? (Autor: Antonio Brás Constante)

A criança diferente e... VERDE?

(Autor: Antonio Brás Constante)

 

O menino foi batizado com o nome de “Ádveno”. Seria considerada praticamente uma criança normal, não fosse o tom meio esverdeado de sua pele. Um verde discreto que dependendo da luz mal podia ser percebido. Outro detalhe diferente era as suas sobrancelhas, que ao invés de serem feitas de pelos, eram formadas por pequenos carroços, como se fossem espinhas ou verrugas. Havia também um sinal em sua testa em forma de triângulo virado, mas nada com que se preocupar como diriam seus pais.

 

O garoto foi crescendo. Aos dois anos conseguia mover pequenos objetos pela casa com a força da mente. Seus olhos ganharam uma cor amarelada e seu cabelo não cresceu. Seus pais achavam que o problema do cabelo poderia ser disfarçado com certa facilidade, e que ele se tornaria popular na escola por conseguir levitar as coisas, ou seja, nada com que se preocupar.

 

Aos quatro anos ele ainda não falava nada compreensível, emitia alguns grunhidos apenas. Algo como: “pll’kwl’ugl” ou coisa parecida. Seus pais diziam que ele estava falando: “Mamãe”, mas que talvez tivesse a língua presa. O pai ainda brincava dizendo aos que consideravam aquele comportamento estranho, que a tal expressão “pll’kwl’ugl”, na verdade queria dizer: “Leve-me ao seu líder ou arranco suas entranhas pelo umbigo”, e depois soltava boas risadas diante dos olhos arregalados de seus conhecidos. A mãe lhe repreendia com o olhar, mas no fim os dois acabavam afirmando em coro que não havia nada com que se preocupar.

 

Com pouco mais de cinco anos, o menino viu um pronunciamento do presidente da república pela televisão, começou a apontar para o aparelho e gritar “pll’kwl’ugl!”, “pll’kwl’ugl!”. O pai ficou olhando para ele admirado com aquela atitude. A criança ao perceber que o homem não entendia seu pedido, começou a arranhar a barriga dele, enfiando o dedo em seu umbigo. O pai colocou-o de castigo, e para evitar novas crises do menino, resolveu vender a televisão. Mas é claro que não havia nada com que se preocupar.

 

Em 2012 o menino completou dez anos, e seus pais o levaram para visitar a capital do País. Não sabiam bem explicar porque decidiram fazer aquilo, simplesmente foram levados por um impulso. Ao chegar lá resolveram passear na sede do governo. Como era a semana da pátria, estava ocorrendo ali um desfile com a presença do presidente, que seguia sorridente em um veículo sem capota através da multidão de pessoas. Ele estava cercado por inúmeros policiais, guarda-costas e com a presença do exército. Um desfile feito com todo cuidado e muita segurança, ou seja, um lugar onde não havia nada com que se preocupar.

 

Os pais foram se aproximando do cordão de isolamento para esperar a passagem do presidente. Ali, para surpresa de ambos, puderam perceber outras crianças de pele esverdeada e com os tais calombinhos desenhando as sobrancelhas. Eram dezenas de crianças com a mesma aparência de seu filho, porém, sem o tal triângulo na testa. Ao perceberem a chegada do menino, toda aquela criançada baixou levemente a cabeça fazendo uma espécie de aceno com as mãos. Ele então se dirigiu a um dos policiais que impediam a passagem dos civis e ordenou: “pll’kwl’ugl!”. O homem soltou uma risada olhando para os pais do garoto e perguntou o que ele estava dizendo? Mas antes que qualquer coisa fosse respondida, o menino avançou sobre o policial, enfiando sua mão como uma lança no corpo dele, atravessando-o pelo umbigo e arrancando suas entranhas. Os outros meninos fizeram o mesmo com os demais guardas, juntando as mãos e lançando raios de seus olhos em direção aos carros de patrulha, fazendo com que os veículos explodissem. Dois meninos voaram em direção ao presidente. A partir daquele momento os pais de Ádveno começaram a se preocupar...

 

NOVA NOTA DO AUTOR: Produzi um filme no Youtube (escrito, dirigido e encenado por este eterno aprendiz de escritor), se quiser assistir ao filme e quem sabe dar boas risadas, basta acessar o Youtube e procurar por: “3D – Hoje é seu aniversário” (o filme foi feito em padrão 3D). Quem quiser também pode me pedir uma cópia em PDF do meu livro: “Hoje é seu aniversário – PREPARE-SE”, disponível pela editora AGE (www.editoraage.com.br), ou para fazer parte de minha lista de leitores, que recebem semanalmente meus textos, para isso basta enviar um e-mail para: abrasc@terra.com.br.

 

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